Por que ler “Rafa minha história”?

Em 2011 ganhei de amigo secreto o livro sobre a vida de Rafael Nadal “Rafa Minha História”, já era fã desse atleta e depois da leitura do livro coloquei ele na minha galeria de atletas sensacionais.

capa-rafa-nadal

Parece estranho ler uma autobiografia de um atleta de 25 anos (idade dele na época do livro, 2011), mas Rafa tem muitas histórias, conquistas e superações que mereciam ser relatadas o quanto antes, pelo menos o que eu acho rsrs.

O livro é escrito a quatro mãos, Rafa narra suas histórias e John Carlin, um jornalista britânico que tem um currículo invejável, finaliza cada capitulo com sua visão sobre algo que lhe chamou atenção. Uma autobiografia digna de ser lida, por quê?

Simples, porque Rafa relata em detalhes os esforços de um atleta, como lidar com um esporte totalmente individual em que a mente tem que estar mais preparada que o físico para lidar horas de partidas. E tem mais, conhecer um pouco sobre um atleta que tem sua marca na história esportiva é o máximo.

No meu livro tenho várias marcações de frases motivacionais, superações e recompensas que Rafa e Carlin expressam no livro, mas a minha favorita é essa:

“Quanto a mim, aprendi uma grande lição com aquela conquista. Era a lição que Toni repetia havia anos, mas que só fui descobri que era verdade naquele momento. Aprendi que sempre devemos perseverar e que, por mais remotas que as chances de vitória possam parecer, temos de ir até o limite extremo de nossas capacidades e tentar a sorte. Naquele dia em Melbourne, vi com mais clareza do que nunca que o segredo para o desempenho excelente do tênis está na mente. Se a mente está clara e forte, podemos superar praticamente qualquer obstáculo, até a dor. A mente pode triunfar sobre a matéria. ” (P. 183-4)

Essa frase veio após o 1º título de Nadal num um grand slam em quadra rápida, título em que o fez ser o 1º espanhol a ganhar o Open da Austrália. Venceu de Roger Feder, numa partida de 4 horas e 23 minutos de jogo. Isso tudo em jan-2009, um jovem promissor estava chegando para felicidades dos apaixonados por tênis.

Deixo vocês com os melhores momentos desse jogo:

Até a próxima…

Por que futebol de Várzea?

7181642688_10cb07e3f9_z

Todos, ou a maioria sabem que o futebol de várzea é o futebol dos jogadores amadores, mas para saber a origem deste temo é preciso voltar aos anos em que o futebol foi iniciado em São Paulo, onde tudo começou…

Para ajudar nesta explicação me baseei no livro “Visão de Jogo – Primórdios do futebol no Brasil” de José Moraes dos Santos Neto. Então vamos a história…

Nos anos de 1900 a cidade de São Paulo já tinha consolidado 5 times da elite: São Paulo Atletic Club, Associação Atlética Mackenzie College, Sport Club Germania, Sport Club Internacional e Clube Atlético Paulistano. Mas também tinham os times “populares” formados por jovens trabalhadores italianos, alemães e portugueses, esses que haviam chegados à São Paulo na época do Império para trabalho escravo ou até mesmo livre.

O futebol começou a cair nas graças da população e se espalhava em várias áreas da cidade. Cada um começou a montar um local para praticar o esporte. Mas o futebol da população menos favorecida praticava a modalidade no Belém, no prado da Mooca, no Cambuci e na várzea do Carmo. Mas era no Carmo que havia as alternâncias da pratica do futebol de elite e populares.

Várzea do Carmo

Ao fundo, vista da várzea do Carmo. No início do séc XX, times da elite e populares alternavam-se. Com a separação entre o futebol de elite e o popular, ocorrida por volta de 1905, os times da elite criaram seus próprios campos, e o futebol popular ficou conhecido como “varzeano” (*fonte).

Mas os dirigentes do Clube Atlético Paulistano promoveram em conjunto com a Prefeitura municipal e transformaram o Velodromo existente na cidade em campo de futebol, deixando o campo da várzea do Carmo apenas para os times populares. Assim surgia o termo “varzeano”.

Em 10 anos, o futebol dos “varzeanos” foram ganhando times e força na cidade. A medida que a competitividade do futebol de “várzea” crescia os times populares começaram a ganhar espaço no futebol oficial. Um fato que marca essa força é no ano de 1912, onde a Liga teve que aceitar a afiliação do Ipiranga Futebol Club, uma equipe vinda da várzea.

varzea2

Esse é o retrato perfeito do futebol de várzea, segundo os cinco times da elite paulistana (*fonte).

Caso queira saber mais detalhe desta história e até mesmo os primórdios do futebol, recomendo o livro, onde conta toda a história baseada em fotos e pesquisas bem fundamentada.

Livro Visão do Jogo

Livro Visão do Jogo

Caso queira adquirir o livro, na Cultura tem a venda:
http://www.livrariacultura.com.br/p/visao-do-jogo-622567?id_link=200021781

Fonte:

Livro: Visão de Jogo – Primórdios do futebol no Brasil. José Moraes dos Santos Neto (*fotos retirados do livro)

http://www.ludopedio.com.br/rc/index.php/arquibancada/artigo/1184

Por que sofremos nos estádios de futebol?

Imagem1

Essa dúvida está me incomodando há dias…

Comecei a ler um livro muito bom “Febre de Bola” de Nick Hornby, estou em suas primeiras páginas e a cada dia estou mais apaixonada pelo livro… cheio de histórias e momentos filosóficos…

O que me fascinou é o fato de Hornby ir num tom de leitura que me faz pensar muito além do óbvio… e o primeiro porquê que me ocorreu foi “Porque gostamos de sofrer nos estádios de futebol?”.

Essa questão veio quando Nick conta sua primeira experiência nos estádios de futebol, ele notou o quanto os torcedores ficavam xingando, gritando, se estressando por um simples jogo de futebol… dali ele pensou o que levam os torcedores pagarem ingresso (as vezes um absurdo de caro) irem até lá e não estar feliz? Passar a sensação de que não está curtindo nada do que esta vendo?

Ótimo… me vi ali, na situação dos torcedores em que Hornby ficou indignado. Sou justamente assim… viciada em futebol, fico nervosa, ansiosa antes dos jogos decisivos, durante os jogos do meu time do coração sou outra pessoa, quem me vê pensa que estou sofrendo, triste… só que não!!!

Pensei muito e acho que a melhor explicação para isso foi que para quem curte futebol, ser torcedor é igual a quando estamos num parque de diversão e vamos brincar numa montanha-russa. É isso!!!

Calma vou explicar…

Os momentos que antecedem o jogo é quando estamos na fila, sabemos onde estamos indo, porém começamos a ficar com medo, adrenalina alta porque será uma sensação diferente do dia a dia… O coração bate mais forte quando ficamos frente-a-frente do carrinho do brinquedo, ou seja, quando os jogadores entram em campo logo pensamos “já erra, agora o arbitro vai apitar e nos resta só torcer”

Ai entramos no carrinho, ou melhor, o árbitro apita o início do jogo… sentimos frio na barriga nos loopings, nas voltas radicais… wow… respiramos mais tranquilos quando o carrinho fica num trajeto reto… ufa…, no jogo, as bolas nas traves, as defesas do nosso goleiros são como os loopings e as voltas radicais, quando estamos no ataque, respiramos mais calmos, a posse de bola nos deixa com a sensação de alivio instantâneo…

Por fim, o apito final e a chegada do brinquedo… se o resultado é bom, saímos em êxtase, querendo bis, agitado e felizes… agora se odiamos, não queremos nem saber do brinquedo, aliais, desejamos nem lembrar dessa péssima sensação… porém para um apaixonado por futebol, queremos bis sempre independente do resultado final.

Conclusão: se passamos pela primeira experiência positiva logo de cara, queremos mais, a adrenalina vicia… depois de um, nunca mais queremos deixar de passar por isso. Por mais estressante que seja, são os 90 minutos que deixamos nosso problemas de lado, 90 minutos que podemos extravasar deixar que pensem que somos loucos, 90 minutos de pura adrenalina… são 90 minutos mais prazerosos da vida…

Bom… a resposta desse porquê não tem fonte. Busquei resposta com base na minha vivencia, como um momento filosófico nos Porquês dos Esportes…